Trinidad, Patrimônio da Humanidade




 

Trinidad é uma das cidades mais históricas de Cuba, fundada por Diego Velázquez em 1514, sendo declarada patrimônio da humanidade pela Unesco em 1988. Ainda mantém suas ruas originais de pedra e casas em tons pastéis, com estilo da época colonial. Trinidad passou por um período de isolamento, o que evitou a construção de edifícios novos e recentemente passou por uma restauração em seu centro histórico. Impossível não viajar no tempo passando por lá.
Nosso roteiro apertado nos reservava apenas dois dias e uma noite na cidade, que dividiríamos em conhecer a Playa Ancon e o centro histórico.

Centro histórico Trinidad-21

Após viajar a noite toda, em nossos planos estava conhecer a primeira praia do Caribe do roteiro. Claro, teve um pouco de emoção. A previsão de chegada do ônibus era 8h. Teríamos uma hora para chegar na casa reservada, deixar as malas e seguir até o ponto de ônibus da Cubatur, que passava as 9h, depois somente as 11h (Horários de ida: 9h, 11h, 14h e 17h – Horários de retorno: 10h, 12h30, 15h30 e 18h). Porém, o ritmo dos motoristas cubanos nem sempre é o necessário para manter o roteiro no horário. Eles param a todo momento para comer, conversar com amigos, deixar encomendas, fumar etc… Logo, quando chegamos já passava das 8h30.

Centro histórico Trinidad-22

Toda chegada nos terminais era um momento tenso, pois sempre tínhamos que negociar preços de frete com várias pessoas oferecendo seus serviços de carro e casa, ir ao banheiro e reservar a passagem para o próximo destino. Fizemos isso em tempo recorde, devido a pressa.
Na saída, ficamos surpresos. Não havia quase ninguém oferecendo serviços, pela primeira vez. Depois descobrimos que pegamos a saída pelos fundos, mesmo sem saber (risos). Isso facilitou nossa vida.
Encontramos um bicitáxi e fechamos dois serviços no mesmo pacote. Ele nos levou por 5 CUC (R$20,00) até a casa, estávamos uns cinco quarteirões longe, e esperou para nos levar ao ponto de ônibus. Negócio de ocasião, para ele, não para nós. Quando saímos da casa ele virou a esquina e parou na frente do ônibus. Ficamos com cara de tacho, mas combinado não é caro.
Fomos direto para Playa Ancón. A passagem ida e volta custou 2 CUC por pessoas (R$8,00). A viagem levou cerca de meia hora. A praia é linda, água cristalina, porém gelada, valeu a pena toda correria.

Playa Ancon-8
Achamos engraçado a prática do topless, pouco fora do comum nas praias brasileiras. Foi uma manhã bem legal, com direito a caminhada, fotos e banho de mar. No lado esquerdo da praia não havia bares. Apenas um jovem cubano que exercia um mercado informal. Ele tirava os pedidos e ia no outro lado buscar. Queríamos lagosta. Ele nos cobrou 5 CUC (R$20,00). Uma pechincha. Contudo, ele nos disse que um colega tinha saído para pescar, mas nunca voltava, então desistimos.
Na hora do almoço caminhamos uns 10 minutos sob sol escaldante até o único restaurante disponível. Haviam vários na orla, mas apenas para atender os hospedes dos resorts com pacotes all incluse. Comemos dois pratos com frango e duas cervejas por 15 CUC (R$60,00), comparado ao que estávamos gastando era caro, mas, estávamos de frente para praia e convenhamos, que praia.

Playa Ancon-5 Playa Ancon-16

Lemos em muitos relatos que a galera indicava pegar o ônibus das 15h, pois ao escurecer aparecia muitos mosquitos e alguns bichinhos que picavam, na dúvida, foi esse que pegamos e a maioria das pessoas que estavam por ali também.
Enfim pudemos conhecer melhor a casa que estávamos hospedados. O Hostal Don Lino é do casal Angel e Ileana, que se mostraram pessoas muito simpáticas e solícitas (mais cedo quando chegamos, a mala da Isabela havia travado, não abrindo o cadeado, e Angel nos ajudou emprestando um alicate e chave de fenda para abrirmos). A casa era do bisavô de Angel, o general Don Lino. Uma casa histórica, bem grande, com um pátio muito gostoso para curtir o fim do dia. O quarto era espaçoso e com ar condicionado.

Após descansar saímos para explorar o Centro. Já era começo de noite. Estávamos cansados da viagem. Eu (Everton) com uma virose, que me acompanhava desde Bayamo e Isabela com uma leve dor de cabeça. As ruas do centro histórico eram pavimentadas com pedra de rio, na infância conhecíamos como pedra ferro. Passamos pela Casa de La música, lojas de pinturas e artesanatos.

palácio cantero

Para jantar, buscamos o Paladar Dona Clara (Calle Ruben Martinez Villena Nº 93), recomendado no site Mochileiros. O local era bastante agradável. Dona Clara uma simpática senhora, que já não cozinha. Debilitada pela idade, fica na cadeira de rodas na janela do restaurante, recepcionando os hóspedes. Naquela noite brincava com os netos.

Santuário Santa Paulina

Comemos um prato com “Langosta” por 7 CUC(R$35,00), os demais pratos eram todos 5 CUC (R$20,00). Todos bem servidos, dependendo da fome, comem duas pessoas. Se você for a Trinidad procure esse paladar, que fica bem perto do bar Canchanchara, eles adoram brasileiros por lá.
Nesta noite, gostaríamos de ter ido a Disco Ayala, uma discoteca dentro de uma gruta, mas como não estávamos muito bem, acabamos jantando e indo para casa mesmo.
Nada como uma noite bem dormida. Acordamos novinhos em folha e cheios de energia. Em quatro horas viramos do avesso as mais de uma centena de barracas de artesanato, ouvimos música na praça, tiramos fotos e conhecemos os pontos turísticos da cidade como o Parque Céspedes, Plaza Maior, Palacio Brunet, Iglesia Parroquial de la Santíssima Trinidad e Casa de la Musica. Sem contar que o café da manha, foi experimentar o drink canchanchara, bebida feita de mel, limão, açúcar e cachaça.

palacio brunet

Nos perdemos mais uma vez nas compras. Na bagagem trouxemos uma réplica de carro em papel machê, mais chaveiros, descanso para panela e uma linda colcha de retalhos, que hoje, repousa em nosso sofá da sala.

artesanato
De volta a casa, encontramos Ileana, a dona do imóvel. Nossa intenção era pegar as malas e seguir para o centro conhecer mais um pouco, mas começamos a conversar, e o tempo passou sem nem nos darmos conta. Ela adorava falar sobre as novelas, mas nos perguntou sobre a crise politica, demonstrando simpatia a presidenta Dilma.
Nosso ônibus estava marcado para as 14h40. Seguimos até a rodoviária caminhando para garantir que estávamos perto. Para almoçar, encontramos o restaurante El Dourado, que fica bem ao lado da rodoviária.

Centro histórico Trinidad-18
Neste dia caprichamos um pouco mais no almoço, já que estávamos comemorando o aniversário da Isabela. Comemos ao som de artistas locais, que não cobram nada para tocar, mas sempre oferecem um CD no final, que por sinal compramos e sempre escutamos, para matar a saudade de Cuba.
Adoramos Trinidad, pena que o tempo foi curto, mas a viagem segue, é hora de conhecer a próxima cidade.

Cuba aí vamos nos – Capítulo 1

Cuba é logo ali – Capítulo 2

Apuros em Havana – Capítulo 3

Atravessando Cuba – Capítulo 4

Santiago de Cuba – Capítulo 5

Bayamo – Capítulo 6

Cienfuegos – Capítulo 8

Cayo Santa Maria – Capítulo 9

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