Santiago de Cuba: um mergulho na cultura cubana




Embora estivéssemos no terceiro dia da estada em Cuba, para nós o amanhecer em Santiago de Cuba era como se fosse o começo da viagem. Enfim, após tanto esforço havíamos conseguido garantir a sequência do roteiro. Acordamos cedinho. Fizemos um lanche rápido no hostal (levamos algumas bolachas e salgadinhos na mala) e fomos para a estrada. Os planos eram de chegar a Gran Piedra e a tarde ao Castilho del Morro. A poucos metros da casa onde nos hospedamos estava a Plaza de Marte. O espaço público era muito agradável, arborizado e com bastante bancos.

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Tentamos tirar algumas fotos, mas logo fomos abordados por um taxista. Muito solicito, ele nos explicou os passeios para conhecer Santiago de Cuba. Durante a conversa ele ofereceu as duas opções de passeio, mas fez ressalvas a Gran Piedra, devido ao caminho ser bastante sinuoso, com subidas perigosas, somente um carro 4×4 conseguiria fazer o trajeto. Por receio, acabamos optando ir somente até o Castilho del Moro, via “carretera” turística. Ele nos cobrou 20 CUC (R$80,00) pelo passeio de três horas. O preço valeu a pena devido as informações e cordialidade.

Acompanhe a Série Cuba

1 – Cuba ai vamos nós!

2 – Cuba é logo ali!

3 – Apuros em Havana

4 – Atravessando Cuba

6- Bayamo

7 – Trinidad

8 – Cienfuegos

9 – Cayo Santa Maria

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Chegamos cedo ao Castilho. Aliás, fomos os primeiros a entrar. Pagamos 1 CUC (R$4,00) por pessoa pelo ingresso. Seriam outros 5 CUC (R$20,00) caso estivéssemos com a câmera fotográfica em mãos, mas o motorista nos orientou a deixar na mochila e tirar somente la dentro. Declarado patrimônio da humanidade pela Unesco, o local é uma antiga fortaleza, construída para proteger a Santiago de Cuba de ataques piratas. Ali funcionou ainda uma antiga prisão, na época de 1775 a voltando a ser fortaleza em 1775. Hoje funciona com um museu naval e de pirataria.

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O visual de cima do platô é incrível, mas é possível explorar todos os níveis do castilho até quase chegar ao mar. Porém, é preciso estar com tempo e treinamento em dia, devido as escadarias. Valeu muito a pena a visita, adoramos. Na saída, conhecemos uma realidade cubana, o comércio informal de charutos. O jovem estava em uma feirinha de artesanato. Se identificou como vendedor oficial do local, mas como descobriríamos depois os preços oficiais são bem distintos. Como ainda era cedo, optamos por não comprar. Claro, aproveitamos para degustar um ofertado pelo rapaz enquanto pegávamos o táxi para retornar ao Centro de Santiago de Cuba. Voltamos por um caminho que cortava a cidade, longe dos pontos turísticos. Pelas ruas, vimos gente vendendo de tudo. De frutas a hélices de ventilador.

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De volta ao táxi, conversamos com o chofer a respeito dos charutos. Coincidentemente (ou não) ele tinha um amigo que vendia. Embora sabendo que o risco de ser mera imitação era grande, acabamos pedindo informações e no final, adquirimos uma caixa com 25 unidades de Havanos por 35 CUC (R$140,00). Uma pechincha se compararmos ao cobrado ao mercado oficial. Uma unidade sai por 17 CUC (R$68,00), logo, é só fazer a conta para ver a diferença. Os expert’s em charutos poderão dizer que não vale a pena, mas para degustadores informais pareceu um bom negócio. Afinal, melhor um de segunda linha cubano, do que um comprado no Brasil como legítimo, sendo falsificado. O produto é idêntico aos oficiais. Mesma textura e cheiro e, claro, feito em Cuba.

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Como comer e o que comprar em Santiago de Cuba

Durante o retorno passamos por um lado menos turístico de Santiago de Cuba. Os prédios deram lugares a casas de um ou dois pavimentos. Retornamos ao Centro Histórico perto das 12h. Antes do almoço, aproveitamos ainda para comprar lembrancinhas. O artesanato cubano é muito interessante. Compramos chaveiros, instrumentos musicais e , inclusive, uma réplica de taco de beisebol.

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Para comer escolhemos o restaurante La Fonda (Calle J. A Saco entre General Lacret y Hartmann),que foi um achado. A preço nacional, oferecem pratos típicos cubanos e também frutos do mar. Como exemplo, no almoço comemos dois pratos de camarão e tomamos dois mojitos, pagando 140 MN (R$22,40). Comemos ali a noite também, um prato de camarão, dois de massa, duas cervejas, um daiquiri e sorvete de sobremesa por 180 MN (R$28,80). A alimentação em Santiago de Cuba ajudou a economizar para o restante da viagem. Na maior parte do tempo comemos como cubanos, em pé, nas dezenas de panederias espalhadas pelas calles (funcionam na janela da frente da casa, onde é o balcão, se pede, se come ali mesmo e vai embora). Comíamos pão com queijo, suco natural e café por 20 pesos cubanos, algo em torno de R$ 4.

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Ao longo daquele dia, caminhamos pelo Centro de Santigo de Cuba, passamos pela Catedral, Ayuntamiento, Balcon de Velazques, Parque Céspedes. Entramos em mercados e fruteiras, compramos sorvete, fruta e rum. Enviamos um postal para o Brasil e no final de tarde paramos na Plaza Dolores, exaustos e maravilhados. Os cubanos adoram conversar. E como bons brasileiros, logo, estávamos de papo com eles.

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No geral, nós mais falávamos do que eles, que simplesmente queriam saber tudo sobre novelas, Carnaval e política. Embora eles se assustem com a violência mostrada pela Globo, via de regra sempre terminavam as falas demostrando que um dia gostariam de conhecer o Brasil. Terminamos o dia, na mesma plaza onde iniciamos e agora já nos sentíamos parte daquele lugar. Conversando, bebendo cerveja e observando o movimento da cidade. Santiago de Cuba é apaixonante!

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No dia seguinte, acordamos cedinho, às 6h30. Fomos até o café Isabelica, mas este como diz o nome fazia apenas café, nada de pães, bolos e etc…  Queríamos aproveitar ao máximo o restante da estada em Santiago de Cuba. Como no dia anterior, esbarramos com o taxista que havia nos levado passear. Desta vez, solicitamos informações para encontrar uma panederia. Já estávamos famintos. Havia uma bem perto. Comemos pão com queijo, pão com goiabada, café e suco. Pagamos um preço módico e saímos satisfeitos.

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Resolvemos explorar outros pontos de Santiago de Cuba. Fomos para o lado direito pela avenida de los Libertadores. Passamos pelo quartel da Moncada, palco de uma tentativa frustada de ataque de Fidel Castro, em 1953, pelo Hospital Provincial Saturnino Lora e a plaza de la Revolucion. Na volta, optamos por um bicitáxi, pilotado por um senhor de apelido Monckei. Acabamos oferecendo uma caneta e uma barra de cereais, além do valor combinado por achar que o trabalho merecia algo a mais, mesmo que apenas regalos.

Santiago de Cuba-47 Museo Emílio Bacardi Hospital Provincial Saturnino Lora Hotel Casa Granda

 

Plaza de La Revolucion - Santiago de Cuba

Perto das 11h voltamos para o hostal para tomar banho, arrumar as malas e descansar. Mal chegamos e o atendente nos alertou que o check out era às 11h. Tomamos banho rápido, descemos as malas e saímos para almoçar. Tivemos que escolher outro restaurante. O calçadão onde ficava o La Fonda estava recebendo uma pintura e toda a área ficou fechada naquele dia. Optamos por um outro, próximo a plaza Dolores. Embora bem recomendado, a comida não era tudo aquilo.

Almoçamos e negociamos um táxi para ir até o hostal, pegar as malas e seguir para a rodoviária.
Como não tínhamos comprado a passagem até Bayamo, tentamos negociar com os condutores dos caminhões-ônibus, conhecidos como guaguás. Contudo, ao perceberem que se tratava de turistas, tentaram cobrar um valor absurdo. Acabamos optando por deixar Santiago de Cuba de ônibus da ViAzul. Também pensamos em seguir de trem, mas os horários eram incertos devido as constantes quebras. E assim seguimos para o nosso próximo destino de Cuba.

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