Cienfuegos: praia, história e golfinhos




Cienfuegos tem um Centro Histórico bem preservado. José Cienfuegos foi seu fundador em 1819. E o curioso é que o nome em nada tem haver com o personagem da revolução, Camilo Cienfuegos. A cidade tem ainda forte influência das atividades marítimas, conforme vamos nos afastando do Centro em direção aos distritos de Reina e Punta Gorda, o que a torna um local de infinitas possibilidades de passeios. Passamos dois dias no local, alem de nos divertimos muito, amamos a cidade.

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Chegamos em Cienfuegos no final de tarde. A casa ficava distante duas quadras do terminal,  sendo assim, usamos a tática descoberta por acaso em Trinidad, saímos pela saída dos fundos, tranquilamente para não sermos abordados por taxistas e locadores de imóveis. Ficamos no Hostal Luisa & Tony (Ave 54 #4916), administrado por mãe, pai e filho. Eles nos receberam muito bem, super simpáticos e prestativos. Inclusive, essa foi a primeira casa, que nos ofereceram transporte compartilhado com outros hospedes, para a cidade seguinte que iríamos, mas como já havíamos comprado as passagens na Viazul, acabamos indo de ônibus mesmo.

As instalações da casa eram muito boas e arejadas, um pátio bem gostoso para ficar conversando. Além do mais, a casa fica super perto do terminal como já falamos anteriormente e em torno de 5 minutinhos caminhando do centro histórico. Ao chegar, descansamos um pouco, banho e logo fomos explorar. A noite começava a chegar. Passamos pelo Passeio del Prado, onde fica a estátua do músico Benny Moré. Seguimos para a região Central, conhecendo o entorno do Parque e claro, tirando muitas fotos, aproveitando a luz da lua cheia. Como era aniversário da Isabela, saímos para jantar em algum lugar mais bacana. Tínhamos uma ou duas indicações de restaurante, mas como estávamos sem pressa, resolvemos procurar outro por conta própria. Descemos o Passeo Del Prado em direção ao Malecon de Punta Gorda, uns dois quilômetros de caminhada.

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Na volta, resolvemos optar pelo Dona Nora. Pedimos dois pratos e pagamos 15 CUC os dois (R$60,00). Já que a noite era festiva, nos fomos visitar a famosa sorveteira Coppelia. Os sorvetes são bons, mas o atendimento deixou bastante a desejar. Tivemos que esperar uns 20 minutos pelo pedido, que só veio após uma reclamação. Optamos por Sunday. Os preços são altíssimos para turistas, mas para os cubanos há uma tarifa diferenciada e ainda em peso nacional. Pagamos 7,20 CUC (R$28,80) por três Sunday’s e na hora do troco ainda tentaram nos lograr (não seria a primeira vez a acontecer, fique bem esperto na hora do troco).

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No dia seguinte, acordamos cedo. Queríamos ir até Playa Rancho Luna, distante cerca de 20km, local onde há o Delfinário. Antes de ir até a rodoviária, procuramos uma panaderia para tomar café. Na primeira, não demos sorte. Entramos em uma casa onde os donos estavam discutindo. Parecia aquelas brigas de famílias italianas onde todos falam muito. Na segunda, “La Piñita”, adoramos. Comemos pão com queijo, suco e café por apenas 19 MN (menos de R$4,00), voltamos no outro dia também.

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Na rodoviária, fomos até a Via Azul para solicitar informações de como chegar ao delfinário. O transporte era feito por meio de caminhão adaptado, 4 CUC (R$8,00) ida e volta para os dois, e o primeiro saia as 8h. O funcionário nos colocou dentro do ônibus, falando que assim ninguém nos incomodaria. Nos sentimos muito mal, pois conversar e interagir era o que mais queríamos, e além do mais, quando o ônibus abriu, entrou muita gente, e nos já estávamos ali sentados, como se tivéssemos direito de ter privilégio.

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Chegamos por volta das 9h, mas o primeiro show no delfinário era às 10h. Então pegamos uma trilha logo ao lado e aproveitamos para conhecer e fotografar a praia, e a Isabela não deixou a oportunidade de cair na água passar, afinal, quando voltaríamos ali de novo? Quando retornamos, pagamos a entrada, 20 CUC (R$80,00) para os dois. Mesmo antes da apresentação já avistamos os golfinhos brincando com os treinadores. O show foi muito legal. Os golfinhos interagiam com os treinadores e empolgaram o público. Duas pessoas da plateia e as crianças tiveram a oportunidade de participar da apresentação (essa é a dica, se você quiser interagir com o golfinho, você tem que pagar a mais por isso, como vai ver na entrada, mas se você não for envergonhado, pode aproveitar o momento que os treinadores pedem voluntários e gritar para ser escolhido). Nos não tivemos coragem, então ficamos só com as fotos de longe mesmo.

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O show acabou perto das 11h, corremos para pegar o ônibus que passava logo a frente e retornamos cedo para o Centro de Cienfuegos, antes do almoço ainda. Parada rápida para tomar água e logo já estávamos visitando lojinhas e caminhando sem destino pelas ruas de Cienfuegos. Encontramos uma galeria com várias barraquinhas de artesanato. Ali compramos uma luva de beisebol, bola e cofres com formato de girafa e porco. De quebra, achamos um local para almoçar com preço em conta, o Efrain Café (Ave.54 entre 33 y 31). Comemos cerdo (porco), arroz, feijão e saladas, suco e sobremesa por apenas 90 MN (R$15,00).IMG_0005

Na parte da tarde fomos em direção a Punta Gorda, mas como o sol estava forte optamos por locar um bicitáxi, por 3 CUCs (R$12,00). Ele nos levou até o final da praia. Caminhamos mais um pouco até um parque no final da Punta Gorda. Local privado antes da revolução, um clube frequentado pela aristocracia cubana. Hoje, ainda tem portões, mas o acesso é liberado. Adoramos e resolvemos simplesmente deixar a tarde passar. Pedimos cerveja Bucanero e Pina Colada. Bebemos, tomamos banho de mar, sentamos, observamos, enfim curtimos.

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O parque é frequentado por dezenas de pessoas. Fomos em plena segunda e ele estava cheio. Por ser época de final de ano letivo, haviam muitos jovens. Estavam bebendo, namorando, tomando banho de mar ou simplesmente conversando. Tinha ainda um pedalinho de aluguel, não deixe de conhecer Punta Gorda, é um passeio e tanto. Na volta, retornamos caminhando para ver o pôr do sol no malecom. Experiência única.

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Na hora de jantar tínhamos uma série de opções, mas encontramos um restaurante chinês, El Mandarim. Um prédio todo em estilo oriental, lindo. Acabamos entrando. No hall, funcionava um boteco. Devíamos ter voltado, mas ao abrir a porta encontramos um salão lindo e um garçom e uma garçonete para nos atender super atenciosos. Muito simpáticos, logo nos levaram até a mesa e começaram nos explicar o cardápio. Havia comida chinesa e crioula, cubana. Queríamos os pratos tradicionais que comemos no Brasil, yakisoba e yakimeshi. Contudo, nos ofereceram shop suey no lugar, o que teoricamente era para ser igual ou parecido. Achamos que era só problema com a nomenclatura do prato. Ledo engano, recebemos um cozido horrível, mariposas (massa de pizza frita) e um arroz, que era o único possível de ser comido. Para piorar, a dupla de garçons não parava de perguntar se gostamos. Como dizer que era intragável, sem ofender? Comemos um pouco e mesmo com fome saímos do restaurante, pagamos 9CUC (R$36,00). Complementamos com sorvete de casquinha. Fomos até uma praça conectar a internet e voltamos para o Hostal.

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Aproveitamos o último dia em Cienfuegos para vasculhar o comércio, tirar fotos e passear. Fomos até o cais onde funciona uma feira de artesanato e ao museu naval, que estava fechado para reformas. Para tirar fotos da região central, um bom local é o Palacio Del Vale. Há uma torre no andar de cima de onde é possível ver toda a cidade. Vale à pena. Almoçamos mais uma vez no Efrain e seguimos para buscar as malas. Nossa próxima parada seria Santa Clara.

Cuba aí vamos nos – Capítulo 1

Cuba é logo ali – Capítulo 2

Apuros em Havana – Capítulo 3

Atravessando Cuba – Capítulo 4

Santiago de Cuba – Capítulo 5

Bayamo – Capítulo 6

Trinidad – Capítulo 7

Cayo Santa Maria – Capítulo 9

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