Cayo Santa Maria, uma aventura para chegar ao mar do Caribe




No post desta semana da série Cuba vamos relatar nossa aventura para chegar ao Cayo Santa Maria, uma das praias mais exuberantes do Caribe. Na sequência de nossa viagem chegamos a Santa Clara no começo da noite. Nossa escolha inicial seria por Remedios, devido a proximidade dos Cayos, porém como nessa mesma época estava acontecendo o Carnaval de Parrandas, não conseguimos vaga. Isabela havia feito contato com outra brasileira que se aventurava na ilha. A ideia era dividir custos para chegar ao Cayo no dia seguinte. Ainda na rodoviária encontramos outro casal formado por uma brasileira e um francês, que estava com uma filha. Acabamos nos conhecendo por dividir uma carroça até o centro histórico. Pagamos 6 CUC para cinco pessoas, até as proximidades do Parque Vidal.

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No caminho conversamos com a família sobre nosso destino no dia seguinte. Eles ficaram bastante empolgados e toparam dividir o custo de um táxi passando por Remédios e indo até o Cayo. As notícias boas vinham rápido. Por coincidência encontramos Rita, a moça que Isabela havia contactado aqui no Brasil, via site Mochileiros. Mesmo sem nos conhecer, ela resolveu esperar na entrada do Centro para também combinar a praia no dia seguinte, e foi muito engraçado, ao descer da carroça, topamos com ela. Com mais uma pessoa no grupo, tivemos que descolar um carro um pouco maior. Conseguimos por 60 CUC. Problema resolvido, saímos para conhecer o Centro e jantar. A cidade também gira em torno do Parque, que por sinal sempre fica cheio. As pessoas saem de casa para conversar e agora mais recentemente, aproveitar o sinal de internet wifi (que a propósito, comprávamos o cartão de 1 hora, por 2 CUC (R$8,00) direto na ETECSA).

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A sensação de segurança em Cuba é fantástica como já mencionamos. Mesmo com a pouca luz da iluminação dos postes, os espaços públicos estão sempre cheios, mesmo até tarde da noite. Procuramos um local recomendado no Trip, depois de muito trabalho achamos, mas como era cedo estava vazio. Então, depois de muito caminhar achamos o restaurante El Verbena, bastante simpático e com preço razoável para jantar, fica na rua Maceo, atrás do Parque. Na volta para o Hostal (Hostal Amalia, perto do Parque Vidal, ótimas instalações, atendimento muito bom), que desta vez mais parecia uma pousada. Recebemos então a informação de que o casal havia mudado de ideia e não iam ao Cayo conosco. Resolvemos checar com Rita, que também decidiu não ir, pois sua prioridade era conhecer o Carnaval em remedios. Então, acabamos cancelando o carro por achar o preço alto demais somente para nos dois. Fomos dormir meio frustrados e pensativos.

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Restaurante El Verbena

No dia seguinte, acordamos muito cedo. Cedo mesmo, com o sol saindo. Saímos para conhecer o monumento Trem Blindado, erguido para relembrar o assalto ao trem cheio de armas do exército cubano. Um dos últimos momentos da revolução cubana. Muito legal. Dali, seguimos caminhando em direção a saída da cidade, muito mais por teimosia, do que por racionalidade. A ideia era ir até onde saem os guaguás para Remedios, os caminhões adaptados. Caminhamos por dois quilômetros sem o menor sinal de ônibus. Perguntamos algumas vezes, mas as pessoas não sabiam direito se o transporte era garantido. E quem disse que toda viagem é tranquila e sem stress? Chegamos a um ponto de conflito. Um queria ter ido para a rodoviária. O outro pelo caminho alternativo e sem nenhuma certeza.

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Para piorar, era dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Depois de algum tempo caminhando, atravessamos uma grande avenida, onde havia uma rótula. Do outro lado, haviam muitas pessoas. Quando perguntamos se tinha algum caminhão indo para Remedios, uma jovem nos indicou que devíamos entrar no que acabara de estacionar. Não tivemos nem tempo para pensar. Embarcamos. O caminhão estava lotado. A viagem não foi muito tranquila, em pé, espremidos, passando por muitas curvas e a incerteza do destino deixaram as coisas tensas. Depois de uns 30 minutos paramos em Remedios, cidade tradicional pelo Carnaval de Parrandas, evento folclórico com carros alegóricos, fogos de artificio e festividades de natal. O evento movimentaria a cidade naquela noite, mas já se notava os sinais da grande festa que estava por vir.

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Não havia como chegar ao Cayo Santa Maria de ônibus. Todo esforço estava novamente em risco. Após um café numa das panaderias próximas ao terminal, tentamos alugar um táxi. Sem sucesso. O preço era 30 CUC (R$120,00), mas naquele dia, os motoristas não queriam perder o dia com turista no Cayo e sim queriam festejar a véspera do natal com os familiares. Seguimos para o entorno da praça onde ocorre o festival. Vimos muita gente andando com scooter elétrica. Inclusive, pedimos informações em uma locadora, mas todas estavam reservadas. Carro de aluguel, nem pensar. Desanimados, voltamos para o entorno da rodoviária. O tempo passando e nós já mais preocupados em voltar para Santa Clara do que ir até o Cayo, embora a vontade de conhecer era muito grande.

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Taxista que nos levou ao Cayo

Um dos taxistas que havia negado a corrida nos procurou. Queria cobrar 2 CUC (R$8,00) para nos deixar uma cidade para frente, Caibarién, que é a porta de entrada para o Cayo. Negamos, mas ele insistiu. Disse que nos ajudaria encontrar alguém para fazer o transporte. No caminho, ele nos explicou que a dificuldade se dava realmente pelo feriado. Todos queriam ficar com a família. Depois de uns 7 quilômetros, chegamos a Caibarién. Ele encostou em um ponto e conversou com o taxista. Em principio não queria nos levar, mas topou desde que ficássemos apenas uma hora na praia, por 30 CUC (R$120,00), porém o carro levava até 9 pessoas, pelo mesmo preço, logo sairia super barato. Apesar de só para nos dois sair um pouco caro, para quem quase desistiu, estávamos no lucro.

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O Cayo Santa Maria é uma pequena ilha no mar do Caribe. O local é repleto de resort’s de luxo. No momento, mais ou menos 5 mil apartamentos estão em construção. O governo constrói em parceria com companhias internacionais como a Ibero Star. Hoje, não da mais para considerar como uma ilha, uma vez que o governo construiu uma estrada com 60 quilômetros ligando o continente ao cayo. Falamos com o motorista que no Brasil isso não teria chances de ocorrer. Ele discordou. Disse que a obra levou cinco anos para ser concluída e com olhares atentos de organismos internacionais de preservação do meio ambiente.

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Nesse trecho, existe praticamente uma ponte a cada quilometro. Essas estruturas impedem que os peixes morram. Sem dúvida, uma grande obra da engenharia moderna. O acesso ao Cayo é restrito. Os turistas necessitam apresentar um passaporte para se registrarem, independente se ficarão hospedados ou para um dia de passeio. Os cubanos não podem entrar. Até podem, mas a taxa é cara. Nosso condutor levou uma chamada de atenção dos guardas. Em Cuba, nem mesmo os passageiros podem beber dentro do carro. Depois do sermão, seguimos viagem. Acostumado a levar turistas para esse ponto da ilha, o motorista nos explicou que havia duas maneiras de visitar. Uma era pelo lado dos resorts, mas que teríamos que pagar uma taxa. Para não extrapolar o orçamento, aceitamos a sugestão. Fomos para um lado mais agreste do Cayo. Paramos em uma espécie de rancho meio abandonado. Dali ele nos apontou uma trilha e pediu que voltássemos em uma hora. Uns 20 metros a frente, o mar de um azul intenso nos encheu os olhos. Naquele instante nem lembramos dos percalços para chegar o mar do Caribe.

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Com apenas uma hora, corremos para o mar. Nada de caminhar e desbravar. Aproveitamos cada minuto para relaxar, nadar, tirar foto, a alegria era tanta, que aqueles 60 minutos renderam muito. Quando o tempo fechou, retornamos para o ponto marcado e seguimos de volta para Remedios. Combinamos que ele não nos deixaria em Caibarién, mas sim no local mais próximo para tomar um caminhão para Santa Clara. No meio do Cayo ele parou para fotografarmos um pelicano. Conversamos muito com o motorista, que era uma pessoa muito simpática, o senhor Alberto Bernardes Vidao. Em Remedios, retornamos para o local onde ocorria as Parrandas. Nossa ideia era ficar até mais perto da noite, mas a Isabela teve um ligeiro mal estar enquanto almoçávamos. Talvez pelo calor ou pelo dia atribulado.

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Resolvemos voltar. Não foi tão simples, tivemos que pegar dois guaguás, mas perto da ida tiramos de letra. Desembarcamos na mesma parada da rótula e voltamos os mesmos dois, três quilômetros caminhando. À noite nossa ceia foi no mesmo restaurante, felizes com o dia incrível que tivemos, mas tristes por estar passando o Natal longe da família. Depois da janta, descobrimos uma sorveteria à moda antiga ( Rua Buen Viaje, primeira sorveteria á direita da praça) com Sunday, banana split e sorvetes. Adoramos e o melhor de tudo, pagamento em moeda nacional. Foi uma ótima despedida de Santa Clara.

No dia seguinte acordamos com o sol novamente. Queríamos conhecer o monumento em homenagem a Ernesto Che Guevara. Idolatrado em Santa Clara, inclusive os restos mortais do revolucionário estão neste local. Com o tempo curto, embarcamos em um bicitaxi. Deixamos as malas uns 500 metros distante do monumento. A polícia impede o acesso das bicicletas. Fomos preocupados, mas a segurança em Cuba mais uma vez apareceu, assim como a honestidade das pessoas. Adoramos o local, quem curte Che Guevara, não pode deixar de conhecer. Emocionante ler sua carta de despedida. Se Santa Clara, Remedios e o Cayo reservaram grandes emoções, nossa próxima parada Varadero era para tirar o pé do acelerador e aproveitar a última praia do Caribe. Só que isso é assunto para o próximo post.

Cuba aí vamos nos – Capítulo 1

Cuba é logo ali – Capítulo 2

Apuros em Havana – Capítulo 3

Atravessando Cuba – Capítulo 4

Santiago de Cuba- Capítulo 5

Baymo – Capítulo 6

Trinidad – Capítulo 7

Cienfuegos – Capítulo 8

Monumento Che Guevarra

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