Atravessando Cuba




 

No segundo dia em Cuba, acordamos às 4h para tentar um lugar no ônibus da Viazul, com destino a Santiago de Cuba. O horário de saída era às 6h, mas fomos orientados a chegar cedo, pois muitos como nós, também tentavam um lugar. Combinamos com o dono da casa para nós levar até ao Terminal Viazul (Ave 26 y Zoologico). Ele nos cobrou 5 CUC (R$20,00), achamos justo devido ao horário e pelo fato de ajudar com as malas. Na hora marcada, ele estava lá, embarcamos em um Fiat 147, minúsculo. Uma das malas teve que ser amarrada no bagageiro em cima do automóvel.

Ele percorreu um caminho diferente ao que tínhamos feito no dia anterior. Passamos por avenidas largas, porém escuras até chegar a rodoviária. Víamos pessoas andando na rua, inclusive mulheres sozinhas, para nos um grande susto, para o motorista, algo normal, sim estávamos começando a sentir a sensação de segurança que existe na ilha. Ao chegar no local, haviam outras sete pessoas. Imaginamos que todas na mesma situação: sem passagem. O tempo passava lentamente. Ansiosos, temíamos não conseguir um lugar, o que comprometeria todo nosso planejamento, visto que já tínhamos reservado as casas e programado o que queríamos ver em cada cidade. Quando as funcionarias chegaram, corremos para o guichê. Contudo, o nosso ficava na parte de cima. Lá fomos nós correndo mais uma vez, com malas e tudo.

O ônibus saia por volta das 6h e a venda de passagens ocorreria minutos antes. Ficamos ali esperando. Quando, enfim, abriu o guichê, descobrimos que não passava de terrorismo. Compramos as passagens tranquilamente, que custou 51 CUC cada (R$204,00). Ainda restaram alguns lugares, ufa, agora sim, a viagem vai começar. O percurso até Santiago de Cuba, no outro lado da ilha, levaria cerca de 17 horas, num ônibus com pessoas das mais diversas nacionalidades. Tentamos aproveitar o começo do trajeto para dormir, mas era quase impossível diante de tantas novidades. Paramos para comer por volta das 9h. Era uma tenda a beira da Carretera Nacional. O local oferecia lanche, banheiro e pinturas de carros antigos, casarões e de Che Guevara.

Ficamos por 15 minutos, tempo suficiente para esticar as pernas. A partir daí o ônibus pararia de cidade em cidade. Sempre cinco minutos. Aos poucos, percebemos que o principal problema desse tipo de viagem era a higiene. Pois os banheiros das rodoviárias eram sujos e, na maioria, não tinham água nem para lavar as mãos (dica 1: leve um tubinho de álcool gel, te ajudará muito, quando for comer na rua e não tem onde lavar as mãos e nem guardanapo). Papel higiênico, só pagando para as pessoas que cuidanFomdo banheiro e em alguns casos, mesmo pagando não havia (dica 2: leve papel higiênico na bolsa sempre, não custa, não ocupa muito espaço e te livra de muitos perrengues). Esse parece o principal problema da ilha. Fora os banheiros das casas de aluguel, que são impecáveis, o restante sempre seguiu a mesma característica da falta de higiene.

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A Carreteira Nacional corta Cuba de ponta a ponta. No geral, o trajeto é tranquilo, já que há poucos carros, caminhões e ônibus em circulação. Viajamos o dia inteiro. Parando apenas para comer.

Outra dificuldade foi o contato com a casa, na qual ficaríamos hospedados. Passamos praticamente o dia todo tentando telefonar para o proprietário. Tínhamos que digitar um código, que liberava a ligação, fornecido pelo gerente de vendas do site BBInVinales, mas não conseguimos usá-lo de maneira nenhuma. Enfim deixamos de lado o código e usamos moedas e por volta da 19h finalmente conseguimos avisar que chegaríamos um dia antes de nossa reserva, por sorte havia vaga.

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Chegamos a Santiago de Cuba às 11h. Estávamos no país há mais de um dia, agora do outro lado, e ainda assim pouco conseguimos conhecer. No saguão de desembarque, fomos cercados por uma dezena de cubanos ofertando “Táxi! Táxi! Táxi!”. Quando percebemos, estávamos em um veículo velho, que parecia que não ligaria, acompanhado de três cubanos. Nossa primeira reação foi de medo. Ficamos bastante desconfiados, mas eles foram bastante educados e nos levaram para a casa onde ficaríamos, ajudando com as malas e dando dicas (no outro dia quando fomos ao terminal, nos reconheceram, e nos cumprimentaram nos chamando de amigos brasileiros).
Chegamos então na nossa segunda hospedagem, Hostal Raul y Kathy .

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Muito bom, indicamos

Fomos bem recebido por Raul, o dono da casa, que no mostrou todas as instalações, a estrutura era boa, tinham vários quartos, e depois, quase não víamos mais os donos do casa, que te dão total privacidade, gostamos da localização também. No geral, as casas de família tem dois ou três pavimentos. Para acessar o andar superior há apenas escadas estreitas e íngremes. Sofremos para chegar ao quarto, ainda bem que Raul foi prestativo e ajudou com as malas. Deixamos as coisas e subimos no terraço da casa (o pôr do sol visto dali é lindo) para tomar uma cerveja bucanero e acender um charuto que compramos nas ruas ainda em Havana. Relaxamos um pouco e logo o cansaço bateu. Estávamos louco para desvendar Cuba, fomos dormir, porque os próximos dias prometiam.

Curta nossa página e fique por dentro dos próximos relatos

Cuba aí vamos nós! – Capítulo 1

Cuba é logo ali – Capítulo 2

Apuros em Havana – Capítulo 3

Santiago de Cuba – Capítulo 5

Bayamo – Capítulo 6

Trinidad – Capítulo 7

Cienfuegos – Capítulo 8

Cayo Santa Maria – Capítulo 9

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