Apuros em Havana




 

O primeiro contato com o povo cubano foi com o taxista que nos levou para casa que alugamos. Embora bastante simpático, algumas coisas nos deixaram descontentes e com receio de haver falhas na preparação do nosso roteiro. Logo na saída ele nos alertou que caso a polícia nos parasse, teríamos que dizer que éramos conhecidos de um parente dele que morava no Brasil. O mesmo procedimento se repetiria na casa. Descobrimos então que por meio do site de classificados tínhamos locado o transporte e a única hospedagem no mercado não oficial, que na prática, não pagam os impostos para o governo, mesmo cobrando igual aos locatários regulamentados.

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Assustador para um inicio de viagem. Fora isso o motorista falhou conosco em dois pontos. Combinamos ainda no Brasil, via e-mail, que ele pararia em uma Cadeca (Casa de Câmbio) e na rodoviária da empresa Via Azul, que faz o transporte rodoviário para turistas em Cuba (os turistas não podem usar os ônibus intermunicipais nacionais, somente esta empresa é permitida para estrangeiros). Ele se fez de desentendido mesmo quando solicitamos mais uma vez para ele cumprir o combinado. Foi direto a casa, dizendo que acharíamos fácil.

Arquitetura (2)

A hospedagem ficava no bairro Vedado, perto de pontos estratégicos como a famosa sorveteria Coppelia e a Universidad de Havana (INFANTA 308, entre CONCORDIA e NEPTUNO). Num primeiro olhar tudo parecia muito antigo e tivemos uma sensação de não saber onde estávamos. Assim que o táxi nos deixou o dono da casa já apareceu,  nos conduzindo por uma escada apertada, passando por uma porta, a segunda era do nosso apartamento. Bastante confortável contava com televisão LCD, ventilador, ar-condicionado e uma pequena cozinha. Não havia mais ninguém morando na casa, o espaço era todo nosso. Maiores detalhes sobre essa hospedagem aqui  Conversamos com o responsável que achou que éramos argentinos (fato que se repeteria mais vezes) e descemos para procurar uma Cadeca e a Via azul. A partir daí não tínhamos mais certeza de nada. Apenas o roteiro, um guia de Cuba e a boca. Na teoria sabíamos muito, mas na prática tudo parecia bem mais difícil, misturando a euforia de finalmente estarmos em Cuba com o fato de termos que resolver a troca de dinheiro e a compra de passagens.

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A Cadeca ficava perto. Chegamos com tranquilidade. Trocamos € 1.000, sendo que optamos por 950 CUC, moeda turística que se equipara ao €, e os outros  50 CUC trocamos por Pesos Cubano ( CUP), valor 24 vezes inferior. A moeda turística é aceita em todos os estabelecimentos. Contudo, comer  com moeda local era um modo de economizar. Mesmo tão perto, não fomos ao tradicional Malecom nesse dia. Nos aventuramos para chegar até a Via Azul. Paramos na beira da avenida, perto de algumas pessoas, levantamos o braço e assim conseguimos um Almedrom (táxis compartilhados, ou máquinas, como eles chamam) por 2 CUC (R$8,00) até a rodoviária. Preço bem acima dos 10 pesos cubanos, que lemos que iríamos pagar. Os motoristas já estão adaptados a cobrar um valor diferenciado para cubanos x turistas. Mas aos poucos fomos nos virando em relação a isso.

Carros Antigos-10

Chegamos na sede da empresa já ao anoitecer. As ruas de Havana tem uma iluminação baixa, quase uma penumbra. Quase não se enxerga nada. Na estação, tivemos contato com os funcionários do governo. Alguns nada simpáticos e com uma má vontade para nos atender. Pretendíamos pegar o ônibus às 15h do dia seguinte para o oriente. A ideia era passar a noite viajando e economizar uma estadia. Não deu certo. Fomos informados que não havia lugar nesse ônibus. Se quiséssemos, tínhamos que estar às 6h da manhã para tentar um lugar na fila de espera. Saímos preocupados com o futuro do nosso roteiro, uma vez que nos programamos para atravessar a ilha até Santiago de Cuba e depois retornar cidade por cidade.

Somado ao cansaço da viagem, voltar para a casa se transformou em uma grande aventura. Solicitamos o preço a um taxista, que pediu 5 CUC (R$ 20,00), mais que o dobro do cobrado na ida. Resolvemos tentar o transporte compartilhado novamente. Contudo, as ruas escuras davam uma sensação de insegurança, o que em pouco tempo aprenderíamos que não havia motivo para preocupação, pois a segurança em Cuba é algo exemplar. Mesmo com receio, atravessamos a rua. Pedimos informações, mas não fomos compreendidos. Teimosos que somos, apostamos em um plano B, que aquela altura parecia ser um milagre. Quando estávamos quase desistindo, parou um caminhão baú na nossa frente. O cobrador desceu e perguntamos o preço: 5 pesos cubanos (havíamos lido muito sobre os transportes feitos em caminhões, conhecidos como guagua, simples, mas super em conta).

Entramos no caminhão,  que se assemelhava a um pau de arara, poucos bancos, e logo um dos passageiros cedeu lugar a Isabela. Foi para ele que perguntamos algumas coisas. Ele nos orientou do funcionamento dos meios de transporte de Havana. Os veículos andavam de ponta a ponta de uma avenida. Nós teríamos que descer na 26 e pegar outra condução. Assim fizemos. No deslocamento até o próximo ponto, conhecemos outro cubano que nos orientou a dizer que éramos estudantes para não pagar o preço abusivo ofertado a turistas. Essa frase mágica nós acompanhou durante toda a estada em Cuba. Na esquina da 26 pegamos um almedrom.

O motorista queria cobrar em moeda turística, mas topou cobrar mais barato com a desculpa de que éramos estudantes. Quando chegamos próximo de casa, passamos para o próximo desafio: comer. Dentre os inúmeros restaurantes pesquisados ainda no Brasil, optamos pelo LocosXCuba (SAN LAZARO, entre MASON e BASARTE). Comemos um prato com carne de porco, peixe, frango e salada, acompanhado por uma tradicional cerveja Bucanero, pagos com 10,35 CUC (R$44,00). Ainda passamos num barzinho, tomamos cervejas  com moeda nacional e trocamos ideia com um dos clientes. O primeiro dia em Havana foi bastante corrido e conturbado. Tivemos pouco tempo para apreciar a arquitetura e os famosos carros antigos, mas conseguimos acender o primeiro charuto cubano. Apesar dos percalços, nos viramos bem e olha que a aventura estava só no começo.

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Cuba aí vamos nós! – Capítulo 1

Cuba é logo ali – Capítulo 2

Atravessando Cuba – Capítulo 4

Santiago de Cuba – Capítulo 5

Bayamo – Capítulo 6

Trinidad – Capítulo 7

Cienfuegos – Capítulo 8

Cayo Santa Maria – Capítulo 9

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2 Comments on Apuros em Havana

  1. que aventura! Adorei demais recordar Cuba pelos relatos de vocês, é um país que eu gostei bastante de conhecer. Tive dificuldade pra comer em locais mais baratos, a comida para o estrangeiro é muito cara! Abraços

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