Bayamo, segunda cidade mais antiga de Cuba




A próxima parada no caminho de retorno a capital cubana foi em Bayamo. Segunda cidade mais antiga da ilha depois de Baracoa. Bayamo foi fundada em 1513 por Diego Velázquez. Além de ter tradição em rebeliões é desta cidade que pode-se acessar uma parte da Sierra Maestra, por meio da Villa Santo Domingo, 35 Km ao sul da cidade. Famosa pela guerrilha promovida por Fidel, muitos aventureiros a procuram para fazer a Comandância de La Plata, caminhada de cerca de uma hora pela natureza, chegando até um museu, hospital e rádio, usados por Chê Guevara e companhia durante a revolução cubana. Os mais corajosos podem se aventurar até o Pico Turquino, o mais alto de Cuba com 1.974 metros de altitude.

Chegamos já com a noite caindo, havia um bicitáxi enviado pelo dono da casa nos esperando, que queria cobrar 2 CUC (R$8,00) para nos levar, numa distância de cerca de duas quadras, acabamos negociando pela metade. Ficamos num hostal com instalações boas, quarto com ar condicionado. Esta era de fato uma casa de família, que alugam dois quartos dentro de sua habitação.

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Bayamo, ponto de partida para Sierra Maestra

Nossa intenção em Bayamo era fazer a Comandância de La Plata. Pesquisamos bastante, mas a falta de informação acerca desse passeio dificultou. Então tudo o que sabíamos era que tínhamos que pegar um carro até a Villa Santa Domingo e de lá um 4×4 que nos levaria a um ponto para obter permissão para fazer a trilha. Assim caímos na besteira de pedir informações ao dono da casa. Detestamos a forma como a conversa seguiu desse ponto em diante.
O homem sentou na nossa frente e começou a dizer que não havia modo seguro de fazer o percurso até Vila Santo Domingo, apenas com o veiculo indicado por ele. Sabíamos que era papo furado, mas ele colocou tanto medo, que desanimamos. Fora o preço, 50 CUC só este percurso e para fazer a comandância, mais 50, ou seja, gastaríamos cerca de R$400,00 por um passeio de meio dia.
Para quem é de cidade turística era nítido que estavam levando vantagem nas negociações. Então resolvemos sair para caminhar e dar a resposta mais tarde, se iríamos contratar o serviço do dia seguinte.
Caminhamos uns 800 metros e chegamos ao Centrinho de Bayamo, que nos encantou logo de cara. A cidade gira em torno do Parque Céspedes. Ali tem igreja, sorveteria, bares, restaurante, cinema, o Hotel Royalton, Casa de La Trova e muito artesanato. Gostamos tanto, que optamos em desvendar com calma a cidade e ficar ali no dia seguinte.

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Quando informamos nossa decisão aos proprietários da casa sentimos que o clima mudou. Daquela noite até a noite seguinte, quando deixaríamos Bayamo, eles pouco conversaram. Restringiram-se a um simples bom dia e boa noite, impressão ou não, não indicaríamos o local por conta deste episódio.
A desistência, por mais intuitiva que parecia se mostrou acertada. Everton passou o dia seguinte com problemas gastrointestinais. Ainda assim, não havia tempo para ficar doente. Acordamos cedo e fomos em direção ao rio. Era uma espécie de parque com uma mini represa. Essa barragem possibilitava aos moradores atravessarem de um lado ao outro da margem. A contraluz rendeu fotos magníficas.

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Do outro lado da rua há uma sequência do parque, o Mercado Agropecuário El Chapuzón com tendas para a comercialização de produtos agrícolas. Vimos de tudo, de frutas e verduras a carnes expostas de maneira impensável para os padrões brasileiros.

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Voltamos para a casa e realizamos o check out. Como era muito cedo, optamos por deixar as malas no local, pois a rodoviária era próxima (na volta, fomos caminhando, sem bicitáxi). No almoço tivemos uma experiência interessante. Encontramos um restaurante escola, uma espécie de Senac. O local oferecia culinária cubana com influência espanhola. No nível inferior há uma recepção e bar. Fomos bem atendidos. Contudo, demorou quase uma hora até que fossemos chamados para o restaurante. Entre pedidos e espera do prato esperamos ainda mais outra hora. Embora estivesse com o estômago embrulhado, o Everton conseguiu provar a carne de res, que nada mais é que carne de vaca. Devido ao embargo, é quase impossível que os cubanos comam carne no dia a dia como fizemos no Brasil, devido aos altos preços. Eles substituem por carne de cerdo, porco.

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Depois do almoço, fomos para o Parque Céspedes onde dessa vez havia uma feira de artesanato mais robusta que no dia anterior e a maioria dos produtos ofertados em Moeda Nacional. Compramos jogos “americanos” para a mesa, tapetes para o banheiro, fora mais um pouco de chaveiros, imãs de geladeira, colar e uma pulseirinha com as bandeiras do país, que se tornou de estimação para a Isabela. No dia anterior ainda havíamos comprado pinturas de um vendedor muito simpático que fica na frente do hotel. O calçadão que leva até a praça é uma galeria de arte a céu aberto.

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Naquela tarde, sentamos no parque, observando o tempo passar, e como se desenrolava o cotidiano das pessoas. Mais tarde fomos ao Cine Céspedes, pagando 4 MN para nos dois (contas não é nosso forte, mas cremos que dá menos de 1 real). Poucas pessoas na sala, assistimos um pouco, cochilamos um pouco e então era chegada a hora de seguir.

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Pegamos as malas e já na rodoviária conhecemos dois funcionários da Viazul, que ficamos conversando até a hora do ônibus sair. Falamos sobre política, trabalho, salário, música, saúde, enfim, a troca de experiência foi muito legal, terminando Bayamo com chave de ouro, cidade que se tornou um tesouro desvendado nessa viagem. Agora era tentar dormir no ônibus, pois só chegaríamos na próxima cidade, somente pela manhã. Até a próxima!

Cuba aí vamos nós – Capítulo 1

Cuba é logo ali – Capítulo 2

Apuros em Havanas – Capítulo 3

Atravessando Cuba – Capítulo 4

Santiago de Cuba – Capítulo 5

Trinidad – Capítulo 7

Cienfuegos – Capítulo 8

Cayo Santa Maria – Capítulo 9

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